Eu queria perguntar como foi sua primeira semana no emprego, queria ouvir as suas músicas, queria ouvir as suas gírias, queria ouvir você me chamando de dramática, queria ouvir se você ainda tinha contato com aquele seu amigo viciado em música pop chiclete, na verdade eu queria ouvir qualquer coisa que você me falasse. Confesso que dessa vez eu tentei o meu melhor, fiz o meu melhor. Corri atrás, mandei uma mensagem, mandei outra, puxei assunto, fui engraçada. Sério, eu não sei aonde eu errei dessa vez. Talvez tenha errado quando decidi sair com você.

Tudo bem que dessa vez me superei, só não descobri aonde o seu avô trabalhava porque a minha energia caiu, porque só isso cai, meu bom senso, jamais. Fiquei com medo de falar alguma coisa que descobri enquanto stalkeava você. Aprendi, da pior forma, que nunca deve perguntar pra alguém se ela morreu, afinal se a pessoa responder que sim, você vai desejar que ele esteja falando do futuro e que quem morre no final é você. Morri de vergonha por ser tão idiota e não conseguir puxar assunto como uma pessoa normal de 21 anos. Até aceitei entrar no jogo, mas você acabou saindo antes mesmo de apertar o start.

E quer saber? Agora eu estou cansada de correr atrás de quem não consegue dar um passo por mim. Estou cansada de esperar que você puxe qualquer tipo de assunto que não envolva “estou sozinho” ou “vem aqui em casa” na mesma frase. Porque parece que só assim pra você falar comigo. E não, não mereço te tratar melhor do que os outros, sendo que nada está te fazendo melhor do que eles. Eu não mereço responder a sua pergunta totalmente empolgada e receber uma droga de “que ruim” como resposta. QUE RUIM? Isso é realmente tudo o que você tinha para me falar? Porque olha, sinceramente, depois disso eu tinha o direito de te tratar como eu bem entendesse, e te tratar mal seria a melhor opção sim. Mas infelizmente, eu não consigo fazer isso.

O problema é que agora você não me deu muita opção. Estou cada vez mais certa de que quando você quer alguma coisa, você vai atrás. Eu fui, duas vezes, mas você continuou no mesmo lugar. Não conseguiu dar um passo pra frente, então eu cansei. Não vou ser exagerada e drástica como eu sempre fui, seu número vai continuar anotado na minha agenda. Mas faço isso, só pra não criar expectativa de que será você em cada mensagem de número desconhecido. Infelizmente não consigo gostar de alguém sem ter minha idade mental reduzida a menos quinze. Mas tudo bem, isso vai passar, sempre passa. A parte mais assustadora é ter que deixar você ir. Mas você já foi, agora chego a pensar que você nunca chegou realmente. Então eu sei que isso vai passar. Mas eu espero que quando passar, você não resolva voltar.

Não consigo finalizar esse texto, pode ser porque uma parte burra de mim, não queria que ele acabasse. Estou tão acostumada a acabar com tudo quando escrevo alguma coisa, não sei porque pensei que seria diferente dessa vez. Poderia finalizar tão bem quanto você, falando apenas que ruim, ou qualquer outra coisa que me deixaria sem nada para acrescentar. Mas, vou deixar assim, jogado, quem sabe eu consiga escrever um outro parágrafo ou melhor, um novo capítulo enfim.

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