Fugi um pouco da Disney pra ver se consigo fazer o blog voltar ao normal. Nesse meio tempo eu comecei a fazer pós-graduação em Marketing e Estratégia Digital. O meu professor de Marketing 3.0, pediu para gente ler alguns dos trechos dos livros Modernidade Líquida (que é um tanto quanto complexo e assustador por ser tão real) e O Código Cultural (que é bem mais tranquilo e todo mundo que gosta de comunicação deveria ler). Vem dar uma olhada na minha resenha sobre esse assunto atual e um tanto quanto polêmico.

A Modernidade Líquida, trazida por Bauman, é ligada à sociedade atual por causa da fluidez. O líquido não tem forma, por isso, se molda a qualquer recipiente em que estiver inserido. Os fluidos se adaptam em qualquer realidade sem que haja muito esforço. Atingem os lugares facilmente e, muitas vezes, são difíceis de serem contidos. Essa é a dinâmica da sociedade atual; Ela se transforma de maneira acelerada, enquanto o sólido para se modificar, precisa de muito esforço.
Pode-se dizer que essa é uma fase de individualização do mundo, onde o consumo fala mais alto em diversos momentos. Também uma fase onde nada e tudo é eterno ao mesmo tempo. Os bens materiais e as pessoas se tornaram descartáveis.
Existe uma aceleração do tempo e uma compressão do espaço, por isso, essa relação (espaço e tempo) foi modificada. Hoje, por conta da velocidade da informação, da comunicação e das mídias sociais temos um novo patamar de relações. O espaço está comprimido. Hoje o mundo inteiro está conectado, trazendo assim uma série de consequências para a vida em sociedade.
Trata-se da individualização do mundo, onde o sujeito agora se encontra ‘livre’ para ser o que conseguir mediante suas forças e vontades, sem uma referência. Dessa forma, o mundo fica um lugar muito mais fácil de viver, porém muito artificial. Todas as coisas perderam o seu verdadeiro sentido.
Por fim, a Modernidade Líquida parece trazer um sentimento constante de incertezas; por ter acesso a tantas informações, cresce as dúvidas e a insatisfação. Os objetivos são cada vez mais traçados individualmente do que coletivamente, favorecendo assim as relações superficiais, não existindo mais nada duradouro.

O Código Cultural, trazido por Rapaille, mostra como é moldado uma forma invisível de comportamento, como é diferente a forma de viver, pensar e amar em cada país.
O Código Cultural é uma ideia única em cada lugar do mundo, isso faz com que o Japão tenha uma nação de japoneses, os Estados Unidos uma nação de americanos, no Brasil uma nação de brasileiros etc… Na falta desse entendimento, como disse o Benedict, cada nação entende erroneamente as outras.
Basicamente, o código se refere a se conectar com as pessoas, afinal, um único produto é visto de maneira distinta por conta da bagagem cultural de cada um e de seu ambiente. Em cada cultura existe uma interpretação, ou seja, um código diferente para determinadas palavras, como citado por Rapaille as palavras “sol” e “lua” provocam impressões totalmente opostas entre os franceses e os alemães.
Claro que não é algo fácil, é necessário uma ampla pesquisa para descobrir em que as pessoas se conectam ou tenham mais afinidade. Ainda no texto, segundo Rapaille “o código cultural constitui o significado inconsciente que aplicamos a qualquer coisa – a um carro, a um tipo de comida, a um relacionamento e mesmo a um país –, por meio da cultura em que fomos criados”. Isso é ótimo, porque temos a certeza de que quanto mais forte for a emoção, maior será a experiência aprendida pelo usuário.
O Código Cultural disponibiliza uma nova visão especialmente nítida do mundo (e das coisas) ao nosso redor.

O Código Cultural é praticamente o oposto da Modernidade Líquida, porque enquanto em um se busca a lembrança das pessoas, no outro as coisas acontecem tão rápido que não existe um verdadeiro significado para comprar nada.
O mundo hoje é muito urgente, querem tudo para ontem; e com a internet, existe o vasto conhecimento quase ilimitado em qualquer área. Focam-se tanto no resultado e nas metas, que acabam se esquecendo do mais importante: o ser humano.
Edgar Morin disse uma vez que “o ser humano não consegue viver só de racionalidade, autonomamente. Ele carece do afetivo, do lúdico, do imaginário”. E dessa forma, hoje em dia o Marketing 3.0 e o Storytelling estão em alta, porque as pessoas se conectam com os problemas dos outros mais do que antigamente.
Apesar dos textos serem distintos, ambos mostram a realidade atual: o ser humano precisa de tudo para ontem, porém algo pra ontem que realmente fique.

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