Essa resenha trata-se de uma análise crítica do filme “Fome de Poder” (disponível no Netflix) que narra à evolução da empresa McDonald’s. Lançado em 2016, o longa, de 115 minutos e dirigido pelo John Lee Hancock, conta a história de como Ray Kroc conquista a participação nos negócios da hamburgueria dos irmãos Mac e Dick e, pouco a pouco eliminando os dois da rede, transforma a marca em um grande império alimentício.

Conquistando o mundo vendendo hambúrguer

O McDonald’s Corporation é a maior rede mundial e pioneira de restaurantes fast food com mais de 30 mil pontos de vendas espalhados por 120 países. Tornou-se sinônimo de alimentação rápida e é um dos símbolos do capitalismo e do estilo de vida americano pelo mundo. Mesmo sendo contestada e alvo de vários protestos, nada parece abalar o seu domínio global. A marca é tão renomada que a revista The Economist utiliza o valor do Big Mac para fazer comparação do poder de compra entre os países.

Mas antes de ser uma empresa espalhada por todo o planeta, o McDonald’s foi uma hamburgueria familiar criada pelos irmãos Dick e Mac McDonald em San Bernardino, Califórnia. Eles foram inovadores ao modificar o modelo dos drive-ins da década de 1950 onde se comia no carro após horas de espera e dessa forma chamaram atenção do até então desanimado vendedor de maquinas de milk shake, Ray Kroc, que assumiu o sistema inventado pelos irmãos e o tornou uma franquia mundial. A história, até então pouco conhecida, está presente no filme Fome de Poder, de John Lee Hancock. O longa metragem narra como ocasionalmente, Kroc tomou a ideia dos irmãos McDonald e levou todo o mérito por ter fundado a empresa.

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Depois de ter recebido um pedido das máquinas de milk shake, Kroc resolveu conhecer o seu cliente. Chegando ao local, ele encontrou uma fila e muitas pessoas comendo ao redor. Finalizando o seu pedido, ele recebeu 15 segundos depois, um hambúrguer com refrigerante e batata frita e ficou impressionado; fez diversas perguntas, como: onde estão os pratos, os talheres e as mesas, por exemplo. Enquanto finalizada o seu lanche, o Mac McDonald aparece perguntando se estava tudo bem e se apresentando. Kroc se identifica como o vendedor da máquina de milk shake e acaba ganhando uma visita guiada pela cozinha do McDonald’s. Ele conhece uma cozinha dividida em estações, um sistema totalmente personalizado, criada pelos irmãos. Kroc, encantado, pede para eles contarem sua história e eles contam tudo, desde quando começaram com um cinema um pouco antes da crise de 1929 até quando precisaram serrar um quiosque para passar debaixo de um viaduto no transporte até a outra cidade. Explicaram que precisaram de uma quadra de tênis e muitos ensaios para o “ballet do hambúrguer” (foi como uma dança para simular o preparo dos lanches) acontecer, porque eles queriam aperfeiçoar todo o tempo e espaço para diminuir a espera do cliente.

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Kroc gostou tanto do que viu que precisava fazer parte disso, ele realmente viu o potencial que a marca tinha e como poderia crescer. Propôs uma parceira com os irmãos e passou a ser um representante da marca para abertura de franquias. E deu certo, os ‘Arcos Amarelos’ começaram a se espalhar pelos Estados Unidos, mas tudo com a autorização dos irmãos Mac e Dick.

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 Após alguns anos, ele já tinha um número considerável de franquias, mas como o retorno financeiro não era suficiente, ele acabou atrasando as parcelas da hipoteca de sua casa. Ao ouvir a história no banco, Harry Sonneborn, um cliente do banco e mago das finanças, propõe uma solução para Ray: que o McDonald’s deixe de ser uma indústria de alimentação e passe a ser um negócio de bens de imóveis, fazendo com que ele seja dono de todas as propriedades onde as franquias seriam abertas.

Enquanto Ray conversava com os franqueados, Joan e Rollie Smith, para diminuir os altos cultos com energia, ela propõe que o sorvete dos famosos milk shake sejam substituído por uma versão em pó. Ao passar essa mudança para os irmãos McDonald, que por serem tradicionais, não aceitaram a ideia de um milk shake sem leite, Kroc acabou fazendo com que todas as unidades da rede usassem o sorvete em pó, menos a de San Bernardino.

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Após várias divergências, como o exemplo do Milk Shake e até mesmo quando ele tentou terceirizar o serviço de bebidas com a Coca-Cola, os irmãos sempre barravam qualquer mudança e não tinham a ambição para crescer. Kroc acabou comprando o direito do nome e toda parte dos irmãos McDonald, depois de muito custo, por 2,7 milhões de dólares e com uma cláusula do contrato “de boca” que iria pagar 1% dos lucros da empresa para os dois para sempre, o que nunca aconteceu. Ele proibiu Dick e Mac de usarem o nome McDonald’s no restaurante deles, então eles mudaram para “The Big M”. Alguns meses depois, o ‘fundador’ Kroc abriu um McDonald’s do outro lado da rua e o Big M acabou falindo.

Em 1989, foi exibida uma campanha promocional que resumia o patrimônio da empresa: “Tudo começou com uma centelha de Dick [Richard] e Mac [Maurice] McDonald. E, graças à mão condutora de Ray Kroc, se transformou em uma chama. Hoje, os arcos dourados brilham em toda esta nação”.

Os arcos dourados hoje são o “M” gigante que são conhecidos por todos os lugares, chamam atenção e brilham tanto que acabaram deixando os seus reais fundadores na sombra, porque no conceito que eles criaram de fast food, não é importante quem produz e sim, o tempo em que é apresentado. E Ray Kroc foi o homem mais rápido nessa história.

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 Considerações Finais

O grande sucesso do McDonald’s é por ele ser pioneiro no ramo de fast food. O “Oceano Azul” é um espaço no mercado inexplorado, criando uma demanda de alto crescimento lucrativo que ocorreu quando os irmãos Mac e Dick perceberam que enquanto os clientes esperavam quase horas para receber um prato frio, na maioria das vezes, eles poderiam aperfeiçoar uma cozinha e fazer com que os 30 minutos se tornassem 30 segundos.

Kroc foi um empreendedor visionário. Com mais de 50 anos, ele teve muita coragem – coisa que faltava aos irmãos – afinal, ele chegou até hipotecar a sua casa para financiar o seu sonho. Foi muito persistente, ele viu no restaurante dos irmãos uma oportunidade de crescer e insistiu até conseguir ser o dono da marca e se tornar um bilionário.

Hoje em dia, o termo fast food é muito conhecido no nosso cotidiano, mas em 1950 era uma novidade, um diferencial, uma clara revolução no meio empresarial. Embora hoje o mercado esteja muito saturado, o McDonald’s foi um grande caso de oceano azul. No Brasil existem 30 tipos diferentes de restaurantes fast food. Por conta disso, o McDonald’s está navegando em um oceano vermelho, por conta da sua alta concorrência, porém, com a facilidade de localizar as suas franquias e a agilidade no atendimento, faz com que não seja tão turbulenta a sua navegação.


Resenha apresentada em 2017 na pós-graduação Marketing e Estratégia Digital para a disciplina de Inovação e Criatividade, ministrada pelo professor Sérgio Kamimura na FMU.

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