Demorei exatamente 365 dias para conseguir falar sobre esse dia. Não por medo ou vergonha, mas sim porque nada parecia certo ou bom o suficiente para tudo isso.

Quando somos crianças e até mesmo depois, somos forçados a acreditar no “felizes para sempre” que todas as comédias românticas tentam nos empurrar garganta abaixo. Por exemplo, “em um determinado momento da sua vida, enquanto você está andando em uma biblioteca e com o cabelo todo bagunçado, um mocinho esbarra em você, derruba um livro no chão e ao trocar os olhares ambos se apaixonam e pronto, vivem felizes para sempre”. Acabamos por acreditar que a nossa vida só vai realmente valer a pena – ou ter algum significado – depois de encontrar aquela pessoa perfeita que fará absolutamente tudo por você e num piscar de olhos todos os seus problemas são solucionados e você vive aquele tal felizes para sempre, que tanto via nos filmes quando mais nova.

Com o passar dos anos, percebemos que isso é bem difícil de encontrar – ainda mais nos dias de hoje. Mesmo com a facilidade que a tecnologia nos trouxe, não tem like que faça você encontrar alguém realmente compatível com você.

E acabei percebendo que não tem história de amor que sobreviva sozinha, posso até dizer que nem mesmo você querendo tanto, quase pelos dois, não será nunca o suficiente. Acima de tudo, em ambas as partes, deve haver: o cuidado, o carinho e principalmente, o respeito. O respeito pela história do outro, pelo medo do outro e também pelo sonho do outro. Resumindo, é difícil pra caralho encontrar o amor nos dias de hoje, por isso até algumas pessoas julgam isso como ilusão ou deixam de acreditar no primeiro ou segundo contratempo que possa aparecer.

Mas posso dizer que comigo e com o Fernando foi tudo um pouco diferente. Em todas as fases do nosso relacionamento, sempre fomos muito honestos um com o outro, em relação a tudo. Até mesmo aqueles “joguinhos clássicos de sedução” que existem nas primeiras semanas, nunca existiram com a gente. Desde o começo eu pude ser eu mesma – da melhor e da pior forma possível. Eu não precisava impressionar ou ter medo de deixar ele me enxergar como eu era, porque ele já me conhecia de verdade.

O tempo foi passando e tudo só foi ficando cada vez mais intenso: cada sorriso; cada passeio; cada piada interna que ninguém achava a menor graça, só a gente; cada seriado compartilhado; cada show e cada filme que assistíamos. Percebemos que o dia era sempre melhor quando estávamos juntos. Sempre apoiamos um ao outro. Seja para começar uma pós-graduação ou fazer um curso que não tem nada a ver com a sua área. Ficamos sempre orgulhosos da vitória do outro. Mas também, tudo nem sempre são flores. O ciúme já rolou e muito (às vezes ainda quer dar uma aparecidinha), mas o respeito e a confiança (e algumas lágrimas) sempre foram muito maiores do que tudo isso.

Foi então, que na virada do ano de 2018, nós estávamos realizando mais um sonho juntos: passar o ano novo na Disney de Paris. Você me pediu, com dois guardanapos na mão, para escrever cinco coisas que eu gostaria de realizar em 2018, e que nós só poderíamos trocar o papel depois da meia-noite. E eu levei a brincadeira muito a sério. Além de ficar com você – eu fui muito criativa e coloquei todas as coisas mais aleatórias que alguém poderia querer, como: tirar a carta de motorista, fazer mais algum curso, procurar um emprego novo e fazer mais viagens, foi mais ou menos assim. E aí, começou os fogos e todo mundo junto fez a contagem regressiva e começou a gritar “Happy New Year” – era bem coisa de filme da Disney, sabe? Pois quando acabou a festa, o pessoal começou a ir a comer ou embora, e nós fomos na frente do castelo pra eu poder tirar uma foto com ele todo iluminado, porque eu gosto das coisas tudo viadas. E lá na frente, você “lembrou” que deveríamos trocar os papéis com os nossos planos para o ano que acabava de chegar. Eu entreguei o meu papel primeiro e você deu risada, provavelmente tava rindo de nervoso, mas eu nem percebi na hora. Foi ai que você me entregou o seu guardanapo, e diferente do meu, o seu não tinha cinco tópicos, era só um papel dizendo mais ou menos assim: “Dizem que tudo o que você faz no ano novo, é o que vai acontecer no resto da sua vida. Eu quero passar todos os meus dias com você. Quer casar comigo?” e quando eu terminei de ler, você estava segurando uma caixinha azul com um anel – e eu não fazia ideia de onde tinha surgindo aquela caixinha que eu não tinha visto nada.

Desde então, não posso dizer tem sido muito fácil, muito menos simples. Tivemos altas emoções e quase todas as minhas certezas mudaram de uma hora pra outra – várias vezes, exceto uma: que nós sempre vamos encontrar um jeito de fazer tudo dar certo, até porque o mais difícil nós já conseguimos mesmo, que foi encontrar um ao outro.

E quem iria dizer que a garota de 23 anos – sem nenhuma experiência e que acreditava em todos os clichês da Disney, conseguiria ter a sua cena de conto de fadas com um garoto de 30 e poucos anos e com muita bagagem nas costas e nenhuma paciência para os dramas adolescentes? Hoje, posso dizer, com propriedade, que todo mundo deveria se casar com o seu melhor amigo. Porque não existe colo melhor do que o seu, quando tudo está bem ou até mesmo desmoronando. É sempre pra você que eu quero correr.

É muito lindo poder ser quem você é, sem nenhum tipo de julgamentos. Saber que quem você ama, conhece sua melhor e sua pior versão, e mesmo assim continua com você. Que te ajuda não só a somar, mas a multiplicar todo o sentimento, que eu achava que só cabia em mim, é a minha maior lição sobre o que é o amor. Obrigada por me ajudar a entender tudo isso ❤

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